Seja Bem Vindo

13.10.11

É o símbolo do céu na mitologia egípcia, formado por todo o seu corpo.
É filha de Chu (ar) e Tefnut (umidade). Casada com seu irmão Geb (Terra), é a mãe de Osíris, Ísis, Néftis e Set. Apesar de ser mulher, era representada como uma vaca em alguns casos (o que às vezes causou confusão, entre os estudiosos, entre ela e outra deusa também representada por uma vaca, Hator).

Encurvada sobre a terra, ela engolia o Sol no entardecer, o qual percorria seu corpo repleto de estrelas ao longo da noite. Pela manhã, a deusa dava à luz o Sol.
Foi a partir da união de Nut e Geb que surgiram os grandes deuses dos mitos de Heliópolis. Sendo assim, era vista como a “grande que dava à luz os deuses”.
As pontas dos pés e das mãos tocavam os pontos cardeais, e seu corpo formava assim a abóbada celeste. Quando representada como vaca, o corpo ficava na posição normal e a abóbada celeste era formada pela parte do corpo que ficava voltada para baixo.
De qualquer forma, seu corpo evitava que o mundo fosse engolido pelas forças do caos, de onde ele provinha. O trovão era visto como a risada de Nut.
Seu corpo estrelado também era a representação do trânsito das estrelas.

Não é preciso muito para perceber o grande poder dessa deusa. Mãe de grandes deuses, controladora do Sol... Ela tem ligações com os astros e, por consequência, deve ter também com a astrologia. Olhar para o alto numa noite estrelada significa olhar para o corpo de Nut. A astrologia seria, então, a ciência de olhar para os movimentos de seu corpo?
Na forma de vaca, é a nutriz, aquela que sustenta. Sustenta não somente os céus, mas também todas as formas de vida. Na outra vida, Nut seria a força mágica que permitiria ao morto respirar e nunca ficar sem água, significando que o pós-morte seria repleto de abundância.
Era divindade de caráter funerário em alguns textos, nos quais teria a missão de “cobrir o corpo do deus”. Como os egípcios recusavam a ideia de morte como o fim de tudo, quando o faraó morria, dizia-se que ele estava em companhia de Nut no céu. As palavras “sarcófago”, “caixão” e “tumba”, em hieróglifos, possuem desenhos de Nut, como se quisessem representar o fato de que o morto estaria por perto da deusa após a passagem.

Veja quantos mistérios envolvendo essa mulher. Ela consegue evitar a invasão do caos, e, ao mesmo tempo, domina os mistérios do que acontece depois da morte. Mas, mesmo abstrata, diáfana, protetora, ela precisa da terra para que seja completa, para que possa construir o mundo – da mesma forma que a terra nada seria sem o céu, a não ser um monte de poeira imersa no caos.

Toda mulher tem um pouco de Nut em si, no momento em que personifica o grande sustentáculo do seu homem ou da sua família. Ou quando organiza e constrói, em qualquer atividade a que se dedique, do seu jeito único.
E creio que todas as mulheres que estão lendo estas linhas já tiveram, pelo menos uma vez na vida, de engolir o Sol, recolher-se para o escuro de si mesmas, para preparar uma nova luz, uma nova aurora, uma reconstrução. Afinal, a vida é mudança e ciclo – escuro e claro que se alternam, de forma a evitar a estagnação e propiciar a necessária evolução para todos os seres viventes.


Fonte:
Bibliografia consultada
Araujo, Luis Manuel de (dir.). Diccionário do antigo Egipto. Lisboa: Editorial Caminho, 2001.
Hart, George. A dictionary of Egyptian gods and goddesses. Londres/New York: Routledge, 1986.
Shaw, Ian; Nicholson, Paul. British Museum dictionary of Ancient Egypt. Londres: The British Museum Press, 1995.


Dica: Nathalia Fernandes

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