Seja Bem Vindo

17.2.16




No ano de 325 d.C foi realizado o I Concílio de Nicéia, presidido pelo imperador romano Constantino. O Concílio teve como objetivo reunir bispos de todas as regiões onde em que havia cristãos para discutir e definir temas fundamentais do Cristianismo, tais como a data da Páscoa, e se Cristo era um ser criado (doutrina de Arius) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus Seu Pai (doutrina de Atanásio). Além de condenar, rejeitar e retirar da Bíblia os chamados evangelhos apócrifos (ou gnósticos), aqueles que, segundo o Concílio foram escritos sem a “inspiração Divina” por irem contra os dogmas estabelecidos pelos bispos.

Vários evangelhos originais daquela época, que deveriam estar na Bíblia, foram retirados. Tais como o evangelho de Maria Madalena, Tomé, Judas, Jesus e Gênesis II. Foi decidido que no Concílio de Nicéia que esses evangelhos deveriam ser destruídos, mas nem todos foram. Em 1945, próximo à cidade de Nag Hammadi (Egito), 52 cópias de textos antigos, chamados de evangelhos gnósticos, foram encontradas em 13 códices de papiro envoltos em couro (livros escritos à mão). A igreja católica rapidamente tratou de considerá-los falsos, mas apropriou-se deles, trancafiando-os nos cofres do Vaticano. Estranho, não é?

Em um desses evangelhos, está a história de Lilith, a primeira mulher de Adão – que veio antes de Eva. A história conta que no início Deus criou Adão e Lilith, ambos do pó. Entretanto, Lilith não aceitava a condição de ser submissa a Adão, até porque eram feitos da mesma matéria. Então conheça agora a história de Lilith: a primeira mulher de Adão.

 “Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual” disse Lilith ao Todo Poderoso, o qual retrucou que era assim que Ele havia feito, e assim continuaria. Lilith então se rebelou, e decidiu abandonar o Jardim do Éden. 

Adão, agora solitário e muito triste, suplicou a Deus “Soberano do universo! A mulher que você me deu fugiu!”. Deus enviou então três anjos para trazê-la de volta: Sanvi, Sansavi e Samangelaf. O nome de tais anjos ainda integram o folclore europeu, e muitas pessoas penduram placas na porta de casa com os nomes desses anjos para ‘afastar o espírito de Lilith’.

Os anjos Sanvi, Sansavi e Samangelaf voltaram então dizendo que Lilith havia se recusado a voltar. Foi quando Deus fez outra mulher para Adão, dessas vez de sua costela, para não correr o risco de que essa também se rebelasse.

Há trechos na Bíblia que conhecemos que dão pistas sobre a existência de Lilith. Em Genêsis 2:23, está escrito “E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.” Há variações na tradução em que ele diz “esta sim é osso dos meus ossos”, como se houvesse existido outra mulher antes dela que não fosse feita dele.

Lilith está presenta em várias culturas, e sua história é muito conhecida no meio hermético judaico. Ela também é estudada em diversas obras da literatura. Lilith aparece como um demônio noturno na crença tradicional judaica e islâmica, e como um espírito feminino vingativo em outras culturas como a hebraica.







Abaixo informações retiradas da Wikipedia que complementa esta publicação:



Lilith (comumente o anglicismo Lilith) (em hebraico: לילית, em antigo árabe: ليليث) foi uma deusa adorada na Mesopotâmia associada com ventos e tempestades, que se imaginavam ser portadores de enfermidades e morte.

Lilith aparece como um demônio noturno na crença tradicional judaica e islâmica, sendo que em uma passagem (Patai 81: 455f) ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido. Esta afirmação de que Lilith foi a predecessora de Eva, no entanto, surge apenas pela primeira vez no Alfabeto de Ben-Sira composto por volta do Século VII, sendo que nunca antes existido esta conexão a Adão e Eva nem tão pouco à Criação.

Mais recentemente, esta história tem sido cada vez mais adotada sendo até discutida se é ou não contada na Bíblia. Porém, além da passagem referida abaixo, esta não é mais referida. Lilith vem sendo cultuada dentro da alta magia desde então, como a deusa que rege a ponta da pirâmide, Lilith também era adorada primeiramente na antiga Babilônia.


Estátua babilônica em terracota atribuída a Lilite de 1.500-2000a.C



Alfabeto de Ben-Sira

De acordo a interpretação da criação humana no Gênesis feita no Alfabeto de Ben-Sira, entre 600 e 1000 d.C, Lilite foi criada por Deus com a mesma matéria prima de Adão, porém ela recusava-se a "ficar sempre por baixo durante as suas relações sexuais". Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilite foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal e a primeira feminista.



Lilite como serpente em pintura de Michelangelo em 1510 d.C



Mitologia Suméria
A imagem de Lilite, sob o nome Lilitu, apareceu primeiramente representando uma categoria de demônios ou espíritos de ventos e tormentas na Suméria por volta de 3000 a.C. Muitos estudiosos atribuem a origem do nome fonético Lilite por volta de 700 a.C.

Na Suméria e na Babilônia ela ao mesmo tempo que era cultuada era identificada com os demônios e espíritos malignos. Seu símbolo era a lua, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos assimilam ela a várias deusas da fertilidade, assim como deusas cruéis devido ao sincretismo com outras culturas.


Lilite como serpente na fachada da Catedral de Notre-Dame de Paris (1163 d.C)



Mitologia Mesopotâmica

Ela é também associada a um demônio feminino da noite que originou na antiga Mesopotâmia. Era associada ao vento e, pensava-se, por isso, que ela era portadora de mal-estares, doenças e mesmo da morte. Porém algumas vezes ela se utilizaria da água como uma espécie de portal para o seu mundo. Também nas escrituras hebraicas (Talmud e Midrash) ela é referida como uma espécie de demônio.



Lilith, em gravura de John Collier (1892)



Mitologia Hebraica

A imagem mais conhecida que temos dela é a imagem que nos foi dada pela cultura hebraica, uma vez que esse povo foi aprisionado e reduzido à servidão na Babilônia, onde Lilite era cultuada, é bem provável que vissem Lilite como um símbolo de algo negativo. Vemos assim a transformação de Lilite no modelo hebraico de demônio. Assim surgiram as lendas vampíricas: Lilite tinha 100 filhos por dia, súcubus quando mulheres e íncubus quando homens, ou simplesmente lilims. Eles se alimentavam da energia desprendida no ato sexual e de sangue humano. Também podiam manipular os sonhos humanos. Mas uma vez possuído por uma súcubus, dificilmente um homem saía com vida.

Há certas particularidades interessantes nos ataques de Lilite, como o aperto esmagador sobre o peito, uma vingança por ter sido obrigada a ficar por baixo de Adão, e sua habilidade de cortar o pênis com sua vagina segundo os relatos católicos medievais. Ao mesmo tempo que ela representa a liberdade sexual feminina, também representa a castração masculina.



Lady Lilite por Dante Gabriel Rossetti (1828-1882)
Material: Tinta a óleo / Criação: 1866–1873 / Período: Irmandade Pré-Rafaelita
Localização: Delaware Art Museum



Mitologia Grega

Algumas vezes Lilite é associada com a Deusa grega Hécate, "A mulher escarlate", uma Deusa que guarda as portas do inferno montada em um enorme cão de três cabeças, Cérbero. Hécate, assim como Lilite, representa na cultura grega a vida noturna e a rebeldia da mulher sobre o homem.



Era contemporânea

Nos dois últimos séculos a imagem de Lilite começou a passar por uma notável transformação em certos círculos intelectuais seculares europeus, por exemplo, na literatura e nas artes, quando os românticos passaram a se ater mais a imagem sensual e sedutora de Lilite e aos seus atributos considerados impossíveis de serem obtidos, em um contraste radical à sua tradicional imagem demoníaca, noturna, devoradora de crianças, causadora de luxúria e vampirismo.




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