Seja Bem Vindo

27.6.16


Retrato de Mademoisselle Lenormand, 
durante a sua prisão de 12 dias em Bruxelas.


Mademoiselle Marie-Anne-Adelaïde LeNormand ou simplesmente Mlle. Lenormand foi uma famosa cartomante francesa que também exercia, além de outras artes, a quiromancia. Seu renome permanece até nossos dias. Lenormand nasceu em Alençon, na Normandia, segundo ela no dia 27 de maio de 1772, embora os documentos originais indiquem 16 de setembro de 1768. Perdeu seu pai quando tinha apenas um ano de idade e, a seguir, sua mãe, aos 5 anos. Foi enviada a um convento, de onde surgem os primeiros relatos de seus dons de clarividência.

Estabeleceu residência, em Paris, no turbulento período que se seguiu à Revolução Francesa e, nessa cidade, consolidou sua fama de adivinha, de leitora da sorte.


Gravura que representa a cartomante Lenormand 
realizando leituras entre nobres.


Teve entre suas clientes Josefina de Beauharnais, esposa de Napoleão Bonaparte. Ela teria previsto, segundo a aura de magia que cerca seu nome, a ascensão e queda do imperador Napoleão, os segredos da imperatriz Josefina e o destino de muitos notáveis de seu tempo.

  Em 1807, Mlle. Lenormand leu as mãos de Napoleão e descobriu sua intenção de se divorciar de Josefina. Para afastá-la de cena, ele a mandou à prisão, em 11 de dezembro de 1809, onde a vidente permaneceu durante doze dias, enquanto ele providenciava o divórcio. Esse fato foi o verdadeiro lançamento de sua carreira e ela se tornou a cartomante mais popular de sua época.   

Ativa e desembaraçada, escreveu perto de trinta livros, que continuam inéditos até hoje.
As informações sobre elas são por vezes contraditórias. É tida como boa estimuladora de outras cartomantes, mais ou menos famosas. Por outro lado, alguns de seus detratores, entre os quais se encontram jornalistas contemporâneos, sustentam que sua lista de clientes eminentes era fruto da fantasia da "Sibila de Alençon" e que suas pretensas profecias eram sempre alardeadas após os fatos consumados...

Em 25 de junho de 1843, aos 74 anos de idade, foi enterrada em Paris, no cemitério Père Lachaise. Alguns críticos disseram que seu maior dom era a habilidade de amealhar riquezas. De fato, por ocasião de sua morte, deixou uma grande soma de dinheiro.


O Grande Lenormand



O baralho mais antigo com o nome de Mlle. Lenormand é o “La Sybille des Salons”. Foi inicialmente publicado em 1828 e compreendia o mesmo número de cartas do baralho comum: com 52 cartas, cada uma delas mostrando um personagem diferente.

Trata-se de um jogo voltado à cartomancia, que retrata um significado compreensível para as cartas: "conversa”, "viagem", "casamento". Segue um estilo que lembra as modernas histórias em quadrinho.
O baralho “A Sibila” foi mais tarde redesenhado pelo célebre ilustrador Grandville, Gérard Jean Ignace Isidore, e publicado com mesmo título, por volta de 1840, pela gráfica Grimaud.
 


Le Petit Lenormand, o "Baralho Cigano"

As cartas do "Pequeno Lenormand" são numeradas de 1 a 36, numa ordem própria 
que não segue nem o critério de naipes nem o da numeração habitual das cartas de jogar


Em nome da Mademoiselle Lenormand foi impresso um outro jogo com 36 cartas, por volta de 1840, à cargo da casa impressora Grimaud. Ficou conhecido como o Pequeno Lenormand e somente décadas depois passou a ser reproduzido com a designação de "Baralho Cigano". Esse jogo, na verdade, consiste de uma utilização parcial de 9 cartas de cada um dos quatro naipes do baralho comum, num total de 36 cartas. Ela utiliza apenas o Ás e as cartas numeradas de 6 a 10 e, no caso das figuras da corte, deixa o Cavaleiro de lado, como acontece, em alguns casos, com as cartas de jogar utilizadas na França nos últimos três séculos. A explicação para isso é a existência de jogos populares como o "Piquet" que utilizava apenas 32 cartas do baralho comum, excluindo as cartas do 2 ao 6 de cada naipe.

Só agora, no início do século 21, tornou-se mais conhecido um baralho que mostra de modo claro que as 36 ilustrações que Lenormand adotou no seu baralho são cópias do jogo de lazer editado por Johann Kaspar Hechtel (1771-1799), jovem empresário alemão. Uma apresentação dessas informações e de seus desdobramentos foi preparada, em português, por Alexsander Lepletier: O jogo de lazer que virou oráculo.

Como já acontecia com o baralho de Etteila, outro famoso cartomante francês, anterior a Mlle. Lenormand, foram adicionadas gravuras às cartas numeradas. Trata-se de um recurso que, para a cartomancia, facilita a atribuição de significados práticos às cartas. Tal medida, se por um lado dá maior proximidade ao leitor, por outro, delimita e reduz drasticamente sua amplitude simbólica que pode ser atribuída a cada carta.

A popularidade do baralho Lenormand, estimulou incontáveis cópias e imitações por toda Europa e, até hoje, é redesenhado. Algumas variantes anunciadas como "Tarô Cigano" são facilmente encontradas no Brasil.

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Por Constantino K. Riemma



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